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O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, reinaugurou, quinta-feira, 03/11, a linha-férrea Cuamba-Lichinga, na província do Niassa, operacionalizada pelo Corredor de Desenvolvimento do Norte, CDN. O evento que contou com a presença de membros dos governos Central e provincial marcou o fim de 6 anos sem a circulação de comboio naquela província.

A reinauguração da linha Cuamba-Lichinga foi marcada por uma partida de comboio da estação de Lichinga até a Passagem de Nível de Chimbonila, á 14km da cidade capital. No seu regresso a estação encontrou uma multidão eufórica.

A linha-férrea que parte de Cuamba até Lichinga, numa extensão de 262 km, com capacidade para 16,5 toneladas/eixo e que envolveu 450 trabalhadores de Junho de 2014 à Novembro de 2016, foi orçada em 100 milhões de dólares norte-americanos.

A reabilitação desta obra incluiu a colocação de travessas metálicas, assim como a construção de novas pontes, desminagem, mitigação dos efeitos da erosão e desmatamento. Para o Presidente da República, com todo este trabalho remove-se um dos graves entraves ao desenvolvimento daquela que é a maior província do nosso país.

O Presidente Filipe Nyusi iniciou o seu discurso de reinauguração dizendo: “Aqui está operacional a muito esperada linha de Cuamba-Lichinga. Aqui está a infraestrutura moderna e com potencial de levantar o desenvolvimento sócio-económico de Niassa e da região Norte de Moçambique. Aqui está a outra libertação. Aqui está menos uma razão de Niassa continuar desconhecida e esquecida”.

Renato Torres, presidente do Conselho de Administração do CDN, também destacou a importância desta infra-estrutura para o processo de construção de desenvolvimento da região norte onde encontra-se ainda o Porto de Nacala.

Segundo Renato Torres, esta linha “faz parte da zona da concessão que o Governo de Moçambique cedeu ao Corredor do Desenvolvimento do Norte que além do sistema Ferroviário de Norte, integra o importante porto de Carga Geral em Nacala. A unicidade do sistema ferro-portuário de Norte é a condição sine qua non para o sucesso desse projecto e consequente crescimento da região.”

Por sua vez o Governador de Niassa, Arlindo Chilundo, fez uma relação entre a reabilitação da linha e o aumento da produção assim como a captação de mais investimentos para a província.

“Este acto, por outro lado energiza as nossas mentes e capacidades humanas para explorarmos ao máximo os 12,3 hectares de terra arável que temos e aumentarmos também a extensão de cerca de 42 mil hectares plantados e ocupados por espécies florestais exóticas. Galvaniza-nos ainda a intensificar convite aos potenciais investidores para a exploração de cerca de 62 milhões de metros cúbicos de granito vermelho, cerca de 233,8 milhões de toneladas de carvão mineral e 32,9 milhões de toneladas de calcário.”

O ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, defendeu o memso posicionamento, prometendo continuar a melhorar a rede logística nacional. “Aqui está a obra. Resposta às necessidades logísticas nacionais. Vamos prosseguir firmes com mais realizações da nossa rede logística nacional e regional.”

O discurso do Governo e da CDN assemelhava-se ao da comunidade que apontava para a redução de custos de transporte com o uso de camiões o que vem facilitar as suas actividades. Espera-se que esta linha contribua para o escoamento da produção agrícola da província do Niassa para toda a região norte, bem como impulsionar as transacções comerciais entre a província e os países do interland.

A semelhança do dia da inauguração, no dia 05 de Novembro, partiu de Lichinga à Cuamba o primeiro comboio de passageiros transportando passageiros ao preço de 100 a 150 meticais e no dia 06 estava previsto o seu regresso à capital provincial. A partir do mês de Dezembro, está programada a circulação de quatro comboios mensais, sendo dois de passageiros e igual número de carga que se estima que atinja dois milhões de toneladas por ano.

Na ocasião, dirigindo-se à população, o Chefe de Estado afirmou que aquele gesto expressava o comprometimento do Governo na criação do bem-estar da população, ao mesmo tempo que visava a dinamização do desenvolvimento integrado e socioeconómico da província do Niassa e do Norte de Moçambique.

Ainda para o Chefe de Estado, a reinauguração da linha é mais uma razão para o Niassa deixar de ser desconhecido e esquecido. “Aqui está vincada a ideia de que a caminhada faz-se caminhando. Está patente a ideia de que o desenvolvimento é um processo que nos vai batendo à porta paulatinamente quando trabalhamos. Com o comboio na estacão terminal de Lichinga, Moçambique orgulha-se dos passos que está a dar, o país vai-se alimentar de feijão sem igual que o Niassa produz”.

“O país vai desfrutar da melhor batata-reno que brota do Niassa e não encontra concorrência. Com o comboio no Niassa, os investidores vão projectar com ambição competitiva a exploração do carvão de Maniamba, o calcário de Sanga, a soja, tabaco, gergelim e mais outros produtos. Com o comboio na estacão de Lichinga, a província deve receber produtos que não são do seu fabrico, como por exemplo material de construção, o camarão e peixe fresco do mar”, disse Nyusi reiterando que a reinauguração da linha removia o maior entrave do desenvolvimento da maior província de Moçambique.

O Presidente da República acrescentou, também, que brevemente será lançada a estrada Cuamba-Lichinga em três troços, nomeadamente, Cuamba-Muita, Muita-Massangulo e Massangulo- Lichinga, numa extensão de cerca de 300 quilómetros.